Kremlin Reafirma “Disposição” de Putin para Acordo na Ucrânia
Neste domingo, 20 de julho, o Kremlin, através de seu porta-voz Dmitry Peskov, reiterou a suposta disposição do presidente russo, Vladimir Putin, para avançar em direção a um acordo de paz com a Ucrânia. A declaração, veiculada pela televisão estatal, surge em um momento de intensificação das pressões internacionais e de endurecimento da retórica por parte de figuras políticas globais, incluindo o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Peskov enfatizou que, embora o mundo já esteja acostumado à “dura” retórica de Trump, o líder americano também expressou, em comentários recentes sobre a Rússia, a intenção de buscar um acordo de paz. “O presidente Putin tem falado repetidamente sobre seu desejo de levar o acordo ucraniano a uma conclusão pacífica o mais rápido possível”, afirmou Peskov ao repórter Pavel Zarubin, da televisão estatal russa.
Objetivos Russos Permanecem Inegociáveis
Apesar da aparente abertura para negociações, o porta-voz do Kremlin deixou claro que qualquer processo de paz estará intrinsecamente ligado à concretização dos objetivos militares e estratégicos de Moscou na Ucrânia. “Este é um processo longo, exige esforço e não é fácil”, disse Peskov, acrescentando em seguida: “O principal para nós é atingir nossos objetivos. Nossos objetivos são claros”.
Essa declaração sublinha a complexidade de um eventual acordo, uma vez que os objetivos russos têm sido interpretados como a manutenção de territórios já anexados ou a desmilitarização de partes da Ucrânia, pontos considerados inaceitáveis por Kiev e seus aliados ocidentais. A postura do Kremlin sugere que a “paz” só seria aceitável sob os termos russos, o que dificulta significativamente qualquer avanço diplomático genuíno.
A Pressão de Trump e Novas Ameaças de Sanções
O posicionamento do Kremlin ocorre dias após uma declaração contundente de Donald Trump. Na segunda-feira, 14 de julho, o ex-presidente americano anunciou uma postura mais rigorosa em relação à Rússia. Trump prometeu uma nova onda de ajuda militar à Ucrânia, incluindo o fornecimento de sistemas de defesa antimísseis Patriot, essenciais para a defesa aérea ucraniana contra ataques russos.
Além do apoio militar, Trump também impôs um ultimato à Rússia, dando um prazo de 50 dias para que Moscou concorde com um cessar-fogo ou enfrente sanções adicionais. Essa pressão combinada, militar e econômica, busca forçar a Rússia a reconsiderar suas ações e a buscar uma solução diplomática que não se baseie unicamente em seus próprios termos. A resposta de Peskov pode ser vista como uma tentativa de demonstrar flexibilidade sem, contudo, ceder nas exigências fundamentais de Moscou.
CONCLUSÃO: A mensagem do Kremlin, ao mesmo tempo em que acena com a possibilidade de paz, reforça a intransigência russa em relação aos seus objetivos na Ucrânia. A diplomacia da guerra, como se observa, é um jogo de palavras e gestos calculados, onde cada declaração é ponderada em face das pressões externas e das ambições internas. A real probabilidade de um acordo de paz duradouro permanece distante enquanto as partes não encontrarem um terreno comum que vá além da mera retórica, especialmente com o endurecimento das posições internacionais e a contínua escalada militar.
Com informações do site: Reuters.