A Resposta dos EUA à Escalada de Tensão
A recente troca de farpas entre as lideranças dos EUA e da Rússia ganhou um novo e perigoso capítulo. O estopim foi uma declaração de Dmitry Medvedev, ex-presidente russo e atual vice-presidente do Conselho de Segurança da Federação Russa, que fez menção ao sistema automático de retaliação nuclear soviético, conhecido como “Mão Morta”. Medvedev teria lembrado a Donald Trump, em uma postagem, da existência dessa “arma apocalíptica”, o que foi interpretado por Trump como uma ameaça velada.
Em resposta, Donald Trump usou a rede social Truth Social para anunciar que ordenou o posicionamento de dois submarinos nucleares em “regiões apropriadas”. A medida, embora sem detalhes sobre a localização exata das embarcações, é um claro sinal de que os Estados Unidos não ignoram a retórica nuclear russa. Trump, que também manifestou preocupação com as mortes na guerra na Ucrânia e pediu um cessar-fogo, classificou as declarações de Medvedev como “provocativas” e “inflamatórias”, alertando que palavras podem ter consequências indesejadas.
A Força da Frota Submarina Americana
O termo “submarinos nucleares” se refere, na verdade, à propulsão das embarcações, já que toda a frota subaquática dos EUA utiliza energia nuclear. A força da Marinha americana, neste setor, é notável: são 71 submarinos no total, com distintas funções. No entanto, é muito provável que a mobilização de Trump tenha sido dos submarinos balísticos, que são a peça-chave da estratégia de dissuasão americana.
A frota de 14 submarinos balísticos da classe Ohio é o coração da chamada “tríade nuclear” dos EUA, ao lado de mísseis terrestres e bombardeiros estratégicos. Sua principal vantagem é a quase impossibilidade de serem detectados, permitindo uma garantia de retaliação mesmo após um ataque-surpresa. Cada um desses gigantes silenciosos carrega até 20 mísseis balísticos Trident II D5, que têm um alcance superior a 11 mil quilômetros e podem carregar várias ogivas nucleares. Isso significa que um único submarino desses é capaz de devastar múltiplos alvos, conferindo aos EUA uma capacidade de “segundo ataque” incomparável. Esses submarinos podem ficar submersos por até 90 dias, operando em total silêncio.
O Segredo e a Operação da Frota Balística
A vida a bordo de um submarino balístico é marcada por sigilo extremo. Os tripulantes vivem sob uma rígida disciplina e em regime de rotação constante, garantindo que parte da frota esteja sempre pronta para entrar em ação. A discrição e a imprevisibilidade desses submarinos são a base de sua eficácia. Raramente esses submarinos vêm à tona ou têm sua posição revelada. Uma das poucas exceções foi a aparição do submarino USS Nevada na ilha de Guam em 2022, um movimento interpretado como um alerta aos chineses em meio às tensões no Mar da China Meridional.
Além dos submarinos balísticos, a Marinha dos EUA tem outras categorias de embarcações subaquáticas. Quatro submarinos da mesma classe Ohio foram convertidos para mísseis convencionais, capazes de carregar até 154 mísseis de cruzeiro Tomahawk. Esses submarinos são utilizados em missões táticas para bombardear alvos estratégicos no início de conflitos, como radares e defesas antiaéreas inimigas. A frota é complementada por 53 submarinos de ataque, das classes Los Angeles, Virginia e Seawolf, usados para espionagem, combate a outros submarinos e apoio a forças especiais.
Contexto da Tensão e o Cenário Atual
A declaração de Medvedev e a subsequente resposta de Trump acontecem em um contexto de alta tensão, com a guerra entre a Rússia e a Ucrânia se arrastando por meses. Trump, que se manifestou diversas vezes sobre o conflito, lamentou as perdas de soldados de ambos os lados e chamou a guerra de “ridícula”. Em sua visão, o conflito “nunca deveria ter acontecido” e é uma “guerra de Biden”. Ele também deu um ultimato de 10 dias à Rússia para aceitar uma trégua de 60 dias, sob a ameaça de sanções comerciais e tarifas que poderiam chegar a 100%.
O sistema russo “Mão Morta” é um fantasma da Guerra Fria que ainda assombra as relações internacionais. Ele foi projetado para, em caso de um ataque nuclear que aniquilasse a liderança russa, disparar automaticamente os mísseis nucleares de Moscou como retaliação. A menção a essa tecnologia, em meio a um conflito em andamento, elevou a preocupação e gerou uma resposta firme do lado americano.
Conclusão
A mobilização dos submarinos nucleares dos EUA em resposta às ameaças russas evidencia a delicadeza e a imprevisibilidade do cenário geopolítico atual. O episódio serve como um lembrete do poder destrutivo que a frota subaquática americana representa e da doutrina de dissuasão nuclear que a sustenta. A capacidade de um país de retaliar mesmo após um ataque é o que, ironicamente, mantém uma paz instável. A tensão entre as nações, a guerra na Ucrânia e as declarações de líderes mostram que, embora a Guerra Fria tenha acabado, o fantasma da destruição nuclear ainda está presente. A comunidade internacional observa com cautela os próximos passos, torcendo para que a retórica belicista não se traduza em ações concretas.
Com informações do site: G1