O vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou que as negociações com o governo de Donald Trump sobre as tarifas impostas aos produtos brasileiros entrarão em uma nova fase. Segundo Alckmin, a partir de agora, a diplomacia brasileira intensificará os esforços para amenizar o impacto do chamado “tarifaço” americano, que pode afetar uma parte significativa das exportações do país. O vice-presidente, que lidera as conversas, ressaltou que o governo federal já está com um plano de ação pronto para proteger a economia e, em especial, os postos de trabalho dos setores mais prejudicados. A medida surge em resposta ao anúncio dos Estados Unidos de que 57% das exportações brasileiras serão afetadas por uma tarifa de 50%, enquanto 43% dos produtos terão isenção. A nova etapa das negociações começa oficialmente quando as tarifas entrarem em vigor na próxima quarta-feira (6).
A estratégia do governo para proteger a produção e o emprego
Em entrevista, Alckmin explicou que a principal preocupação do governo Lula é garantir a preservação dos empregos nos setores que serão diretamente afetados pelas novas tarifas. Ele assegurou que o Palácio do Planalto está finalizando um plano de proteção que, segundo ele, estará pronto para ser implementado nos próximos dias. “Esse plano está praticamente pronto e ele foca no emprego e na produção. O presidente Lula vai bater o martelo”, afirmou o vice-presidente. Alckmin também adiantou que o governo não deixará ninguém “desamparado” e que a meta é lutar para reduzir o percentual de 35% de produtos que serão efetivamente atingidos pelas tarifas, além de buscar alternativas.
As medidas para proteger a economia podem incluir a busca por novos mercados para os produtos que não serão mais competitivos nos EUA, além de um aporte de recursos para setores específicos. Alckmin citou como exemplos áreas como a produção de pescado, mel, frutas, carne bovina e a indústria, que estão entre as mais afetadas. Para viabilizar essas ações, o plano do governo pode até mesmo ser executado fora da meta fiscal de 2025, o que indica a urgência e a prioridade que o tema recebeu da gestão federal.
Perspectivas sobre inflação e o impacto do tarifaço
Outro ponto levantado por Alckmin foi o possível efeito do tarifaço na inflação interna. Ele especulou que, no curto prazo, as tarifas poderiam até causar uma queda nos preços dos alimentos. A lógica é que, com a dificuldade de exportar, os produtores brasileiros teriam que direcionar parte de sua produção para o mercado interno, aumentando a oferta e, consequentemente, reduzindo os preços. “Há uma tendência de queda no preço dos alimentos”, disse o vice-presidente, embora tenha ponderado que seria difícil afirmar isso “peremptoriamente”. Ele ressaltou, no entanto, que essa situação só seria sustentável a curto prazo, pois, se a situação persistir, a produção seria reduzida, gerando prejuízos aos setores e podendo causar o efeito contrário, com a alta dos preços no médio prazo.
Além disso, Alckmin mostrou-se otimista com a perspectiva de queda da inflação geral no país. Ele creditou essa tendência a dois fatores principais: a redução do dólar e a expectativa de uma safra agrícola de 2025 que deve ser superior à do ano anterior. A queda da inflação, na sua visão, seria um passo fundamental para permitir uma redução nas taxas de juros, que ele classificou como “altíssimas e absurdas”. Essa visão otimista do cenário econômico contrasta com a incerteza gerada pelas novas tarifas americanas, mas sinaliza a confiança do governo em sua capacidade de gestão.
A posição do governo sobre as sanções a Alexandre de Moraes
Durante a entrevista, o vice-presidente também comentou a sanção imposta pelo governo dos Estados Unidos ao ministro do STF, Alexandre de Moraes, por meio da Lei Magnitsky. Alckmin criticou a medida, afirmando que ela não tem “justificativa legal”. Ele expressou a solidariedade dos Três Poderes a Moraes, argumentando que a lei não deveria punir um ministro que, na sua visão, está apenas cumprindo com seu dever. “A Justiça não inicia o processo, ela é provocada”, defendeu.
Aproveitando a ocasião, Alckmin fez uma crítica velada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, ao comparar a postura de Lula com a de seu antecessor em relação ao Judiciário. “É bom lembrar que o presidente Lula ficou preso um ano e meio e nunca quis derrubar a democracia e o Judiciário”, pontuou. A fala de Alckmin reforça a posição do governo de que a sanção contra o ministro do STF é indevida e que a atuação de Moraes é legítima dentro do papel do Judiciário brasileiro. A declaração do vice-presidente se soma ao coro de políticos e instituições que se manifestaram contra a medida americana.
Conclusão
As declarações de Geraldo Alckmin revelam um governo preocupado com os impactos das novas tarifas americanas e proativo na busca por soluções. O plano de ação em andamento, com foco na proteção de empregos e na diversificação de mercados, demonstra que a gestão federal está se preparando para enfrentar a nova realidade comercial imposta pelos EUA. Ao mesmo tempo, o vice-presidente demonstra otimismo em relação à inflação e aos juros, indicando uma visão de que a economia brasileira, apesar dos desafios externos, tem condições de se manter estável. Sua forte crítica à sanção contra Alexandre de Moraes também ressalta a defesa da soberania nacional e do funcionamento do Judiciário brasileiro, elementos que se entrelaçam em um cenário político e econômico de crescente complexidade.
Com informações do site: O TEMPO