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    Início » Apostas e Vidas em Risco: O Fenômeno das Bets na Amazônia e o Impacto em Comunidades Indígenas
    Amazônia

    Apostas e Vidas em Risco: O Fenômeno das Bets na Amazônia e o Impacto em Comunidades Indígenas

    A febre das apostas online e bingos eletrônicos atinge a cidade de Atalaia do Norte e comunidades indígenas do Vale do Javari, expondo a vulnerabilidade social e a falta de fiscalização em uma das regiões mais remotas do Brasil.
    Por Redação24 de agosto de 20255 Minutos de Leitura
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    William Cardoso/Metrópoles
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    Na cidade de Atalaia do Norte, um pequeno e isolado município à margem do Rio Javari, no coração da floresta amazônica, a febre global das apostas online se instalou de forma silenciosa e avassaladora. Casas de apostas esportivas e bingos eletrônicos se tornaram parte da paisagem local, atraindo não apenas a população urbana, mas também membros de comunidades indígenas que deixam suas aldeias para tentar a sorte. O fenômeno, que pode parecer distante das grandes metrópoles, revela a complexa teia de vulnerabilidade social e econômica que assola a região, onde a falta de oportunidades empurra os mais frágeis para os riscos do jogo.


    A Realidade das Apostas na Amazônia

    Em Atalaia do Norte, a presença das casas de apostas é tratada com naturalidade. Eduardo Costa, funcionário de um desses estabelecimentos, afirmou com convicção que o sistema é “100% confiável”. Segundo ele, a clientela é diversificada, incluindo moradores da cidade e, de forma surpreendente, um número considerável de indígenas. “Eles vêm bastante. Ganham, também”, comentou, apontando para um indígena que jogava no local. O estabelecimento onde trabalha recebe mais de 100 pessoas por dia, com o ponto alto da semana sendo o bingo eletrônico das sextas-feiras, que oferece prêmios de até R$ 10 mil. A existência de outras casas de apostas na cidade sinaliza a dimensão do problema e a demanda por esse tipo de entretenimento.


    Jogo e Vulnerabilidade Social

    Especialistas em dependência comportamental veem essa proliferação com grande preocupação. Aderbal Vieira, responsável pelo ambulatório de dependência de comportamentos do Proad (Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes) da Unifesp, traça um paralelo entre o jogo e o consumo de álcool em populações indígenas que vivem em ambientes urbanos. Segundo Vieira, esses grupos estão expostos ao “melhor e o pior dos dois mundos”, onde a vulnerabilidade social se torna um terreno fértil para vícios.

    O jogo, como uma “febre” que atinge a sociedade global, afeta de forma desproporcional as parcelas da população com menos recursos, como as comunidades ribeirinhas e indígenas da Amazônia. O especialista alerta para o fato de que até mesmo parte dos recursos do Bolsa Família tem sido desviada para as apostas, um sintoma grave da crise que se instala na região.


    Um Cenário de Extrema Pobreza e Conflitos

    O contexto social de Atalaia do Norte agrava o problema. A cidade possui o terceiro pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil, com a maioria dos empregos formais vindo do setor público. Situada na entrada do Vale do Javari, a cidade é lar de cerca de 8 mil indígenas, muitos deles de tribos isoladas. A fragilidade socioeconômica da região a torna um palco de conflitos e atividades criminosas.

    A cidade, que ganhou notoriedade internacional em 2022 com o assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, é um ponto de entrada para a Terra Indígena do Vale do Javari. O duplo homicídio, cometido por praticantes de pesca ilegal, expôs as tensões na região. Sem perspectivas, os moradores, sejam ribeirinhos ou indígenas, tornam-se alvos fáceis para traficantes e outros grupos criminosos que operam na região. A falta de oportunidades e o desespero levam alguns a serem cooptados pelo crime, criando um ciclo vicioso de violência e exploração.


    Alternativas de Renda e a Luta por Sobrevivência

    Em meio a esse cenário desafiador, iniciativas buscam oferecer uma alternativa de renda e dignidade para as comunidades locais. Um projeto de manejo sustentável do pirarucu, desenvolvido por uma série de entidades, visa gerar renda através da pesca controlada, permitindo a exploração de até 30% dos peixes em áreas específicas. Rubeney Castro Alves, secretário de governo do município, explica que a iniciativa beneficia tanto ribeirinhos quanto povos indígenas.

    Apesar da importância do projeto, os desafios são imensos. Alves revela que são necessários investimentos de cerca de R$ 20 milhões para transformar a cidade em um polo pesqueiro. A falta de recursos impede o desenvolvimento de projetos que poderiam oferecer uma alternativa sustentável às apostas e ao crime. A voz de Jorge Marubo, uma liderança indígena que participa do projeto de manejo, ressoa com esperança e necessidade: “A gente pretende continuar a pesca, porque precisa melhorar a renda e a qualidade de vida da família indígena”, afirmou, pedindo apoio para adquirir barcos e motores, essenciais para a continuidade do projeto.


    A Posição das Autoridades: Falta de Fiscalização e Atribuições

    Apesar da gravidade do problema, as responsabilidades de fiscalização parecem ser uma questão de atribuições. A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) afirma, em nota, que a fiscalização de jogos de azar e apostas online não está em seu escopo de trabalho. A instituição foca em garantir o acesso a serviços básicos e o respeito às práticas socioculturais dos povos indígenas. A Funai sugere que a responsabilidade pela regulamentação e controle desses jogos é do Ministério da Fazenda. O posicionamento, no entanto, deixa uma lacuna na proteção das comunidades mais vulneráveis, que se veem cada vez mais expostas a esse novo tipo de vício.


    Conclusão: Uma Questão de Prioridade e Proteção

    A proliferação das casas de apostas em Atalaia do Norte é um sintoma alarmante de uma crise mais profunda. A falta de oportunidades econômicas, a vulnerabilidade social e a presença do crime organizado criam um ambiente propício para que a febre do jogo se espalhe, afetando especialmente as comunidades indígenas. O caso ilustra a urgência de políticas públicas que vão além da repressão, abordando as causas da miséria e oferecendo alternativas de renda e dignidade. A resposta das autoridades, que se esquiva da responsabilidade, é um reflexo da complexidade do problema. A aposta agora é que as iniciativas de desenvolvimento sustentável, como a pesca do pirarucu, possam se fortalecer e oferecer um futuro mais promissor para uma das populações mais esquecidas do Brasil.


    Com informações do site: Metrópoles

    apostas esportivas comunidades indígenas jogos de azar Vale do Javari vulnerabilidade social
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