Falha no sistema expôs banco digital a saques fraudulentos
As investigações da Operação Money Talks, conduzida pela Polícia Civil do Espírito Santo, tiveram início no final de 2024, após a instituição financeira reportar movimentações suspeitas. Em novembro daquele ano, uma falha sistêmica do banco digital, amplamente divulgada nas redes sociais, permitiu que clientes sacassem dinheiro em caixas eletrônicos sem que os valores fossem devidamente debitados de suas contas. A oportunidade foi rapidamente explorada por golpistas que, de forma organizada, realizaram saques de alto valor em um curto espaço de tempo.
A polícia identificou um total de 835 saques irregulares em apenas três dias, resultando em um prejuízo superior a R$ 1 milhão para a instituição financeira. A descoberta da falha e a sua exploração em larga escala demonstram a rapidez com que vulnerabilidades em sistemas digitais podem ser exploradas por criminosos. A ação da polícia foi crucial para interromper o esquema e iniciar a busca pelos responsáveis, que agiram em Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica, no Espírito Santo.
Jovens com perfil digital e uso de “laranjas” na fraude
Segundo as investigações, os suspeitos são 17 jovens com bom domínio de tecnologia digital, que souberam aproveitar a falha do banco. O delegado Leonardo Vanaz explicou que a identificação dos envolvidos foi possível através da análise bancária. O perfil financeiro dos investigados, que antes era de movimentações modestas, mudou drasticamente durante o período da fraude, com saques de valores elevados, muitos deles realizados de madrugada.
O esquema, que se utilizava de saques em caixas eletrônicos sem o devido débito nas contas, também envolveu o uso de “laranjas” para mascarar as operações. Em alguns casos, os criminosos usaram os dados de familiares inocentes, como um jovem que utilizou a própria avó para realizar os saques. Essa prática, que denota a falta de escrúpulos dos golpistas, é um agravante no crime de furto qualificado por fraude, que pode resultar em uma pena de três a oito anos de prisão.
Operação policial apreende bens e bloqueia contas
A Operação Money Talks culminou no cumprimento de 22 mandados de busca e apreensão em diferentes municípios do estado. Durante as buscas, foram apreendidos diversos itens, incluindo celulares, computadores, documentos e até um computador avaliado em mais de R$ 100 mil, que poderia ser usado para novas fraudes. O dinheiro em espécie, cerca de R$ 5 mil, também foi apreendido em uma das residências, e a polícia agora investiga a procedência do valor.
Além das apreensões, a Justiça determinou o bloqueio judicial de valores, imóveis e veículos em nome dos investigados. O objetivo é garantir o ressarcimento do prejuízo causado ao banco, uma medida importante para mitigar os danos financeiros causados pela quadrilha. A ação contou com a participação de equipes especializadas da Polícia Civil, como o Centro de Inteligência e Análise Telemática (CIAT), o Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP) e o Departamento Especializado de Investigações Criminais (DEIC), demonstrando a complexidade da operação e a necessidade de uma atuação coordenada para combater esse tipo de crime.
As investigações continuam para desvendar a totalidade do esquema
Apesar da Operação Money Talks ter sido bem-sucedida em desmantelar o núcleo inicial da fraude, as investigações não foram concluídas. O delegado José Lopes afirmou que, a princípio, os 17 investigados não têm relação entre si, mas a análise do material apreendido, como os dispositivos eletrônicos e documentos, deve esclarecer se há uma coordenação maior no esquema.
A utilização de pessoas inocentes, como a avó de um dos suspeitos, demonstra a audácia e a crueldade dos criminosos. A Operação Money Talks é um lembrete de que a vigilância deve ser constante, tanto por parte das instituições financeiras, que precisam fortalecer a segurança de seus sistemas, quanto por parte dos usuários, que devem estar atentos a movimentações suspeitas e a tentativas de fraude. A punição para o crime de furto qualificado por fraude, com penas de três a oito anos de reclusão, reflete a gravidade desse tipo de delito, que afeta a segurança e a confiança no sistema bancário.
Com informações do site: G1.