Em um evento carregado de simbolismo, o Memorial Brumadinho foi o palco para a formalização do acordo entre a mineradora Vale e as famílias das vítimas do trágico rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão, ocorrido em 2019. A solenidade, realizada na manhã desta quinta-feira, 3 de julho, ressaltou a importância da memória e da luta por justiça, elementos intrínsecos ao propósito do Memorial. A citação da poeta Adélia Prado, “O que a memória ama fica eterno. Te amo com a memória, imperecível”, exposta no local, ecoou o sentimento presente entre os participantes.
Memorial: A Voz das Famílias e a História Recontada
Para Fabíola Moulin, diretora-presidente do Memorial Brumadinho, a escolha do local para a assinatura do acordo é profundamente significativa. Ela destaca que o espaço é uma conquista das famílias, nascido da incessante busca por um lugar que não só guardasse os restos mortais das vítimas, mas que também narrasse a história da tragédia sob a perspectiva daqueles que mais sofreram. O Memorial, conforme Moulin, expõe desde os antecedentes do rompimento, detalhando como o desastre poderia ter sido evitado, até as complexas operações de busca dos bombeiros e a repercussão global do ocorrido. O local é um testemunho da humanidade por trás dos números, um lembrete contínuo de que “a vida vale mais”.
A Eternização da Memória e o Alerta para o Futuro
A presidente da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem de Brumadinho (Avabrum), Nayara Porto, compartilha o mesmo sentimento sobre a relevância do Memorial. Para ela, o espaço foi idealizado para que a história do rompimento jamais seja esquecida. Nayara enfatiza que o Memorial permite que as pessoas vejam além das estatísticas, enxergando as 272 vidas perdidas em 25 de janeiro de 2019. A expectativa é que a memória dessa tragédia sirva como uma lição pedagógica, um alerta constante para que desastres semelhantes não se repitam. A presença das famílias no local do acordo reforça que a busca por justiça e a preservação da memória são pilares inegociáveis.
Conclusão
A solenidade de assinatura do acordo entre a Vale e as famílias das vítimas de Brumadinho, realizada no Memorial, transcendeu a mera formalidade jurídica. Ela representou um marco na luta por reconhecimento e justiça, consolidando o Memorial Brumadinho como um epicentro de memória, resistência e conscientização. A escolha desse local reafirma o compromisso com a perpetuação da história e a incessante busca para que tragédias como essa jamais voltem a assolar a nação, reforçando a importância da vida humana acima de qualquer interesse.
Com informações do site O TEMPO.