O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou a pressão sobre a Rússia ao ameaçar publicamente aplicar “consequências severas” se o presidente russo, Vladimir Putin, não aceitar um cessar-fogo durante a reunião bilateral marcada para a próxima sexta-feira (15) no Alasca. A declaração de Trump, feita após uma videoconferência com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e outros líderes europeus, injeta um novo elemento de incerteza e tensão no já complexo cenário do conflito que se estende por mais de três anos e meio.
Questionado por um jornalista sobre as possíveis retaliações, Trump foi direto, mas enigmático: “Sim, haverá consequências severas, mas não direi quais”. A postura do presidente norte-americano sugere que ele está disposto a usar o peso diplomático e econômico de sua nação para buscar uma solução, mas o ceticismo prevalece, especialmente após as palavras de Zelensky na mesma reunião, que afirmou que Putin “está blefando” sobre um possível cessar-fogo. A cúpula, que será a primeira entre os líderes desde que Joe Biden se reuniu com Putin em 2021, promete ser um dos eventos diplomáticos mais acompanhados do ano.
Possível Segunda Reunião e os Alinhamentos com a Europa
Durante o seu pronunciamento, Donald Trump também mencionou a possibilidade de um segundo encontro, quase imediato, caso a reunião no Alasca seja produtiva. Essa segunda cúpula incluiria o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. “Se for tudo certo na primeira reunião, teremos uma segunda entre Putin e Zelensky. Mas pode não haver uma segunda reunião, se eu não gostar do resultado”, afirmou o presidente. A ideia é que o primeiro encontro sirva para Trump “descobrir onde estamos e o que vou fazer sobre isso”, tornando a segunda reunião mais “produtiva”.
A postura de Trump tem sido cuidadosamente monitorada por seus aliados europeus. O presidente da França, Emmanuel Macron, revelou que Trump afirmou na videoconferência que qualquer negociação sobre o território ucraniano será feita apenas pela Ucrânia, e que ele pressionará a Rússia pelo fim da guerra. O chanceler alemão, Friedrich Merz, reforçou esse alinhamento, destacando que Trump concordou que a prioridade deve ser um cessar-fogo imediato, seguido por discussões para um acordo de paz permanente. As condições são claras: reconhecimento de anexações não pode acontecer, a soberania da Ucrânia deve ser respeitada e é preciso haver garantias de segurança ao país.
As Condições Inegociáveis e as Posições Irreconciliáveis
O apoio à Ucrânia, conforme o líder trabalhista do Reino Unido, Keir Starmer, que também participou do encontro, é “inegociável”. A “Coalizão dos Dispostos”, um grupo que inclui Reino Unido, França e Alemanha, definiu que fronteiras não podem ser alteradas pela força e que a Ucrânia necessita de garantias de segurança robustas. Esse consenso europeu e a firmeza de Zelensky buscam evitar que um possível acordo de paz no Alasca exija mais concessões de Kiev do que de Moscou, especialmente no que tange a cessão de territórios. A própria Ucrânia e a maioria de seus aliados insistem que qualquer acordo de paz duradouro deve respeitar o direito internacional e a soberania ucraniana.
No entanto, as posições de Rússia e Ucrânia permanecem totalmente opostas. Zelensky reafirmou que a Rússia precisa concordar com um cessar-fogo antes que qualquer questão territorial seja debatida. Ele também rechaçou qualquer proposta russa de retirar as tropas ucranianas da região oriental de Donbass. A Rússia, por sua vez, rejeitou a ideia de trocas territoriais e disse que não fará concessões, afirmando que as regiões de Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia, que suas tropas controlam, foram declaradas como parte de seu território. A intransigência de ambos os lados torna a missão de Trump no Alasca ainda mais desafiadora.
Contexto Histórico da Cúpula no Alasca
A invasão russa da Ucrânia, que começou em fevereiro de 2022, deixou um rastro de destruição, com dezenas de milhares de mortos e milhões de deslocados. A cúpula no Alasca é a primeira entre os presidentes dos Estados Unidos e da Rússia desde 2021. O local escolhido tem um simbolismo histórico, já que o Alasca foi vendido pela Rússia aos Estados Unidos em 1867. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, explicou que a reunião foi proposta por Putin e aceita por Trump para que o presidente americano pudesse ter um “melhor entendimento” de como encerrar a guerra.
Embora o presidente ucraniano não esteja presente na cúpula inicial, ele e seus aliados europeus têm tentado alinhar sua posição com a de Trump, na esperança de que o líder dos EUA atue como um mediador forte em favor da Ucrânia. O resultado do encontro no Alasca é incerto, mas a ameaça de “consequências severas” e a possível abertura para uma reunião trilateral com Zelensky no futuro mostram que a diplomacia em torno do conflito está em um novo e decisivo momento.
As Consequências de um Futuro Incerto
A reunião de Trump com Putin no Alasca, com a ameaça de “consequências severas” e a possibilidade de um segundo encontro com a Ucrânia, pode moldar o futuro da guerra. No entanto, as posições extremas de Kiev e Moscou sobre a soberania territorial e a renúncia à OTAN, respectivamente, tornam um acordo de paz duradouro um desafio monumental.
Os líderes mundiais e a população em geral aguardam ansiosamente para ver se a diplomacia, aliada à firmeza, pode, finalmente, trazer um fim para este conflito. O resultado do encontro no Alasca será crucial para determinar o caminho a seguir, seja ele de paz e reconstrução ou de mais anos de guerra e incerteza.
Com informações do site: G1