A Polícia Civil de São Paulo prendeu, na manhã da última segunda-feira, Meyre dos Santos Lima, de 43 anos, durante uma perseguição na região metropolitana da capital. A suspeita, que tem antecedentes criminais por tráfico de drogas, é ex-companheira de Eric Oliveira Farias, conhecido no mundo do crime como Gordão e apontado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) como o atual “número 2” do Primeiro Comando da Capital (PCC).
A Perseguição em Arujá
A operação que culminou na prisão de Meyre teve início com um mandado de busca e apreensão expedido pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Praia Grande. Ao chegarem ao endereço em Arujá, os agentes da Polícia Civil foram informados por vizinhos que o casal havia saído do local de carro momentos antes. A partir daí, uma busca pelo veículo foi iniciada, e os policiais logo encontraram o carro com os suspeitos. Ao perceberem a aproximação da viatura, o motorista tentou fugir, dando início a uma perseguição em alta velocidade. No entanto, a tentativa de fuga foi rapidamente frustrada pela habilidade dos policiais, que conseguiram interceptar o veículo e abordar os ocupantes.
A Abordagem e a Tensão do Flagrante
Dentro do carro estavam Meyre dos Santos Lima, seu atual companheiro, identificado como Elisio Cândido de Alfredo Júnior, e a filha de 11 anos da mulher. Ao serem abordados, o casal reagiu com resistência e precisou ser contido com o uso de força e algemas pelos agentes. A cena, tensa, demonstrava o nervosismo dos suspeitos. A criança que estava no banco de trás foi protegida pela polícia e, posteriormente, entregue a familiares, vizinhos da residência onde a abordagem ocorreu, garantindo seu bem-estar e segurança imediata.
A Descoberta no Imóvel
Após a prisão, os agentes retornaram à casa para cumprir o mandado de busca e apreensão. O que encontraram no interior do imóvel confirmou as suspeitas. A residência estava completamente revirada, uma clara indicação de que o casal tentou remover objetos de valor e evidências de forma rápida e desordenada antes de fugir. O ponto crucial da operação veio na suíte da casa. Em uma banheira, que precisou ser quebrada pelos policiais, foram encontrados dois tabletes de maconha, que totalizavam pouco mais de um quilo do entorpecente. Além da droga, foram apreendidos uma balança de precisão e outros apetrechos usados para fracionar e embalar entorpecentes, confirmando a prática de tráfico de drogas no local.
Evidências e Confissão
As evidências não pararam por aí. Os policiais também encontraram resquícios de maconha no carro do casal, com a mesma coloração da droga apreendida na residência, além de embalagens idênticas. Para a Polícia Civil, esse fato corrobora a tese de que o veículo era utilizado para o transporte dos entorpecentes. Confrontado com as evidências, Elisio Cândido de Alfredo Júnior confessou aos agentes que tanto ele quanto Meyre haviam recebido a incumbência, dada pelo PCC, de armazenar a droga naquele endereço.
Os Antecedentes Criminais do Casal
A investigação revelou que tanto Meyre quanto Elisio já possuíam antecedentes criminais por tráfico de drogas, o que reforça a natureza da atividade ilícita que estavam praticando. Meyre, em particular, tem uma história ligada ao crime organizado, sendo ex-companheira de Eric Oliveira Farias, o Gordão. Ele, que está preso desde 2000, é considerado um dos líderes da facção e é acusado de ser responsável por planejar atentados contra autoridades, levantando informações sobre as rotinas e endereços dos alvos do grupo. Gordão foi condenado a 30 anos de prisão na Operação Ethos e, até julho do ano passado, cumpria sua pena na penitenciária federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. A reportagem apurou que Meyre já não o visitava mais na cadeia.
Conclusão e Futuro dos Suspeitos
A prisão em flagrante de Meyre e Elisio foi convertida em prisão preventiva pela Justiça de São Paulo, o que significa que ambos permanecerão detidos enquanto aguardam julgamento. A autoridade policial representou pela conversão da prisão justamente por conta dos antecedentes criminais e da flagrante situação de tráfico de drogas, comprovada pela apreensão de substâncias ilícitas e apetrechos. Meyre está atualmente na Penitenciária Feminina de Sant’Ana, em São Paulo, onde aguardará os próximos passos do processo. A captura do casal representa mais um golpe contra o tráfico de drogas e o crime organizado na região, expondo a conexão entre o comando da facção e a ponta da cadeia de distribuição de entorpecentes, mesmo em casos de suposto afastamento pessoal.
Com informações do site: Metrópoles