Um chocante episódio de violência contra profissionais da saúde em Franca, no interior de São Paulo, gerou grande repercussão e levantou um debate urgente sobre a segurança nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Uma técnica de enfermagem foi agredida fisicamente por uma paciente durante o expediente. Em um relato emocionante ao Fantástico no último domingo (10), a vítima, que optou por não ter sua identidade exposta, descreveu a agressão e o impacto psicológico do trauma.
A profissional, que agora recebe acompanhamento psicológico e psiquiátrico, expressou a dor e a indignação com a violência sofrida. O caso, infelizmente, não é isolado, mas sim um reflexo de uma crescente onda de agressões que afeta o setor de saúde em todo o país.
O Momento da Agressão na UBS
A técnica de enfermagem detalhou que a confusão começou antes da agressão física. Sentindo-se ameaçada pela paciente, que demonstrava irritação e agressividade, a profissional teve o instinto de registrar a situação com seu celular. “Ela estava brava, mas eu não entendi o que era. Eu peguei meu celular e já comecei a gravá-la”, contou a profissional.
O vídeo, gravado pela própria vítima, mostra o momento em que a paciente, ao perceber que estava sendo filmada, reage com agressividade. “Filma, filma mesmo”, diz a paciente, antes de tomar o celular das mãos da técnica. O embate verbal evolui para a agressão física, com a paciente desferindo um tapa no rosto da funcionária e, em seguida, atirando o aparelho de volta contra ela. “Me senti muito humilhada e desvalorizada naquele momento”, lamentou a técnica de enfermagem, que agora enfrenta dificuldades para dormir e superar o trauma. A agressora não quis se manifestar sobre o incidente.
Cenário de Violência Crescente em São Paulo
O episódio de agressão em UBS em Franca é sintomático de uma realidade alarmante, especialmente em São Paulo, que concentra o maior número de casos de violência contra profissionais da saúde no Brasil. De acordo com dados recentes, foram registrados 832 casos somente em 2024 no estado. Esses números revelam que a segurança de médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem está em constante risco, com a violência se tornando uma triste rotina em ambientes que deveriam ser de acolhimento e cuidado.
A violência contra a enfermagem e demais categorias da saúde não afeta apenas a integridade física e emocional dos profissionais, mas também compromete a qualidade do atendimento à população. Um ambiente de trabalho inseguro e hostil prejudica a concentração e a capacidade dos profissionais de prestar um serviço de excelência.
O Grito por Segurança e Valorização
O relato da técnica de enfermagem agredida é um clamor por mais segurança e valorização do trabalho no setor de saúde. Os profissionais da linha de frente, que dedicam suas vidas ao cuidado com o próximo, merecem um ambiente de trabalho que os proteja de ameaças e agressões. Casos como o de Franca exigem uma resposta enérgica e imediata das autoridades e dos gestores de saúde, com a implementação de medidas mais eficazes de segurança nas unidades de atendimento.
A agressão paciente a um profissional de saúde não pode ser normalizada. É um crime que precisa ser combatido com rigor e conscientização. A sociedade precisa refletir sobre a importância de tratar com respeito e empatia aqueles que estão ali para nos ajudar em nossos momentos mais vulneráveis. A segurança dos profissionais de saúde é um indicador da civilidade e do respeito de uma nação.
Com informações do site: Fantástico e G1