A presidência brasileira da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP30, está propondo uma abordagem inovadora e profundamente humana para o evento que será realizado em Belém do Pará. A ideia é que a conferência, marcada para 2025, seja muito mais do que um encontro diplomático. A proposta é transformá-la em um verdadeiro “ritual de passagem” para um novo modelo de desenvolvimento, que seja ao mesmo tempo sustentável e inclusivo. Essa visão foi detalhada em uma carta recente enviada à comunidade internacional, assinada pelo presidente designado André Corrêa do Lago.
A sugestão brasileira é que a COP30 em Belém se torne um momento coletivo e essencial para a humanidade. A carta de Corrêa do Lago sugere um espaço de reflexão profunda, de luto pelas perdas já causadas pela crise climática e de construção de um futuro mais justo e seguro para todos os povos da Terra. Este conceito inovador busca ir além das negociações formais e tocar na essência do que significa pertencer ao planeta. A iniciativa posiciona a COP30 não apenas como um evento político, mas como um marco cultural e social na luta contra a mudança climática.
A Força da Empatia e Solidariedade na Transição
O texto da carta enfatiza a importância de salvaguardar a essência humana durante essa complexa transição climática. Em suas palavras, Corrêa do Lago destaca que a “essência reside em valores humanos inegociáveis: empatia, compaixão e solidariedade”. Ao propor que a COP30 seja um ritual de passagem, o Brasil busca honrar a memória de todos aqueles afetados por eventos climáticos extremos. A ideia é que, ao reconhecer e lamentar essas perdas, a sociedade global possa encontrar a força e a determinação para se metamorfosear em direção a um futuro mais promissor.
A proposta brasileira para a COP30 tem como um de seus pilares o reconhecimento de que a crise climática não é apenas uma questão científica ou econômica. É, acima de tudo, uma crise humanitária. Ao dar espaço para o luto e a memória das vidas perdidas, a conferência em Belém pode se tornar um símbolo de união e resiliência. Essa perspectiva humanista pode fortalecer a mobilização global e garantir que as ações climáticas sejam pautadas por um profundo senso de responsabilidade mútua.
Três Dimensões Para o Ritual da COP30
Para concretizar essa visão, a presidência brasileira estruturou a proposta em três dimensões interconectadas. A primeira é a de homenagear as vidas perdidas e as comunidades que sofreram as consequências de eventos extremos, como secas prolongadas, enchentes devastadoras e ondas de calor sem precedentes. A segunda dimensão é a de preservar os valores humanos essenciais, como a empatia e a solidariedade, que são fundamentais para enfrentar os desafios globais. A terceira e última dimensão foca na criação conjunta de soluções, incentivando a colaboração entre nações e povos para um futuro próspero.
Essas três dimensões pretendem guiar o espírito da conferência, transformando a COP30 de Belém em um ambiente onde as negociações formais sejam infundidas por um senso de propósito maior. A capital paraense, que se situa na porta de entrada da Amazônia, a maior floresta tropical do mundo, é vista como o cenário ideal para essa união. O local, já um símbolo de biodiversidade e de lutas indígenas, reforça a narrativa de que a ação climática precisa estar alinhada com o respeito à natureza e às comunidades que vivem nela.
Integrando a Liderança Genuína e a Autoridade Formal
A proposta busca integrar esse espírito de ritual em todas as frentes da conferência: a mobilização global, as negociações formais, a agenda de ação e a cúpula de líderes. O objetivo é que, em Belém, a autoridade formal dos governos caminhe lado a lado com a liderança genuína da sociedade civil, das comunidades indígenas, dos jovens ativistas e dos cientistas. A carta de Corrêa do Lago sugere que a COP30 deve ser uma “arena para colaboração”, onde as soluções sejam cocriadas e não impostas.
A visão é que as negociações da COP30 em Belém sejam um ponto de virada, onde a ação climática não seja vista como algo distante, restrito às instituições e governos, mas algo que comece e termine com as pessoas. A ideia de “avançarmos decididamente para mudarmos por escolha, juntos” é o cerne da mensagem, convidando a todos a se unirem em uma transição climática voluntária e coletiva. Ao final, a COP30 pode ser o momento para que a humanidade se reconecte com o planeta e com uns aos outros, lembrando o verdadeiro significado de pertencimento.
A visão brasileira para a COP30 é mais do que um plano de ação; é um convite para uma reflexão profunda sobre o nosso papel como guardiões do planeta. Transformar Belém em um “ritual de transição climática” é uma tentativa audaciosa e necessária de infundir a conferência com um senso de humanidade e propósito, garantindo que o futuro que construímos seja baseado em valores de empatia, solidariedade e respeito.
Com informações do site: CNN Brasil
