A Escalada de Tensão e o Discurso de Lula
A declaração de Luiz Inácio Lula da Silva em Pernambuco é uma resposta direta aos ataques de Donald Trump na Casa Branca. O ex-presidente americano, que impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, justificou a medida afirmando que o Brasil cobra “tarifas enormes” e torna “tudo muito difícil de fazer”. Lula, no entanto, discordou categoricamente. “É mentira quando o presidente norte-americano diz que o Brasil é um mau parceiro comercial. O Brasil é bom, só não vai ficar de joelho para o governo americano”, disse o presidente.
A tensão entre os dois líderes é um reflexo das diferentes visões de mundo e de política externa. Enquanto Trump adota uma postura protecionista e nacionalista, Lula defende o multilateralismo e o livre comércio. A acusação de Trump, que chamou o Brasil de “péssimo parceiro”, não se sustenta diante dos dados. O Brasil tem déficit na balança comercial com os Estados Unidos desde 2009 e, em 2024, o déficit foi de mais de US$ 28 bilhões.
A Realidade do Comércio entre Brasil e EUA
Apesar das acusações de Trump, a realidade do comércio entre Brasil e Estados Unidos é bem diferente. A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) informou que 48% das exportações dos EUA para o Brasil chegam sem imposto, e 15% têm taxação de até 2%. A tarifa média de importação brasileira para o mundo é de 12,4%, mas o imposto médio efetivo sobre as importações americanas é de apenas 2,7%.
Essa diferença acontece porque uma grande parte do que o Brasil importa dos EUA é isenta de imposto, como aeronaves e peças, petróleo bruto e gás natural. Além disso, existem regimes aduaneiros especiais, como o “drawback” e o “ex-tarifário”, que reduzem ou eliminam a cobrança de impostos sobre os itens trazidos dos EUA. O Brasil é um parceiro comercial fundamental para os Estados Unidos, que é o segundo maior destino dos produtos brasileiros, atrás apenas da China.
A Defesa de Bolsonaro e a Crítica à Democracia
A declaração de Trump sobre o Brasil não se limitou à economia. O ex-presidente americano também defendeu Jair Bolsonaro, chamando o processo judicial contra ele de uma “execução política”. Trump, que se considera um “bom avaliador de pessoas”, afirmou que Bolsonaro é um “homem honesto” e que o que estão fazendo com ele é uma “caça às bruxas”.
Lula, por sua vez, defendeu a democracia brasileira e o sistema judicial. “O que o Trump tem preocupação é que, vocês estão lembrados, o discurso deles é que nem o outro daqui. Que as eleições não eram sérias, que não podia perder”, disse o presidente, em referência à invasão do Capitólio. Lula afirmou que, se a invasão tivesse ocorrido no Brasil, Trump seria julgado e, se culpado, iria para a cadeia. A declaração de Lula reforça a sua posição em defesa da democracia e da justiça, e mostra que a sua crítica a Trump vai além da questão econômica.
Os Produtos Exportados e a Dependência dos EUA
Apesar da tensão política e da imposição de tarifas por Trump, os Estados Unidos continuam a ser um dos principais mercados para os produtos brasileiros de maior valor agregado, como aeronaves, autopeças e máquinas. Entre janeiro e junho de 2025, os principais produtos exportados para os EUA foram óleos brutos de petróleo, produtos semimanufaturados de ferro ou aço e café não torrado.
A lista de produtos exportados mostra que a economia brasileira ainda tem uma forte dependência do mercado americano. Os Estados Unidos são o maior consumidor de café do mundo, e o Brasil é o principal fornecedor da commodity, respondendo por cerca de um terço de tudo o que é importado pelos americanos. A dependência do mercado americano é um fator que o governo brasileiro precisa considerar ao lidar com as tensões políticas e comerciais.
Conclusão: Uma Relação Complexa e um Futuro Incerto
As declarações de Lula e Trump mostram que a relação entre Brasil e Estados Unidos é complexa e cheia de desafios. As acusações de Trump sobre o “tarifaço” e a defesa de Bolsonaro são uma tentativa de usar a economia e a política externa para influenciar a política interna do Brasil. A resposta de Lula, que defende a democracia e a soberania do país, mostra que o Brasil não vai ceder às pressões de Trump. O futuro da relação entre os dois países dependerá de como o governo brasileiro irá lidar com a imposição de tarifas e de como irá defender os seus interesses econômicos e políticos. A relação entre os dois países é um jogo de xadrez, e o Brasil precisa ser firme e estratégico para defender a sua posição no tabuleiro.
Com informações do site: G1
